Eu, Cláudio
Não vou falar do romance de Robert Graves, nem de outras coisas mais mundanas que pipocam no espaço digital nacional. Vou centrar estas linhas no desenvolvimento deste site e na ajuda preciosa de um modelo de IA chamado Claude, da Anthropic — esse que tem andado no centro de algumas polémicas nos Estados Unidos.
Com o nosso 10º aniversário à porta, decidimos renovar o site, que tínhamos feito em Wix, e que já não respondia às nossas necessidades. Queríamos mais do que um espaço institucional: algo que mostrasse também a nossa oferta imobiliária, sem cair no modelo prêt-à-porter de muitas soluções de mercado. Isso implicava desenvolvimento à medida — reuniões infindáveis, tempo e custo que não queríamos. E estávamos no final de Abril, com o aniversário marcado para 14 de Junho. Menos de dois meses.
Depois de muita pesquisa sobre o que o setor oferece a nível global, decidimos meter as mãos à obra — sem nunca termos escrito uma linha de HTML, CSS ou PHP. Uns absolutos ignorantes. Mas há todo um mundo de Inteligência Artificial a ajudar, pensámos, e com amigos destes não haveria desafio que não conseguíssemos vencer.
Escolhemos primeiro a plataforma — WordPress, escolha simples. Depois o alojamento — Accuweb, servidores na Europa, custo previsível. Depois o tema, que tivesse também uma boa base de dados por detrás: Kadence com ACF, depois de algumas cabeçadas. Ainda não tínhamos escolhido o “amigo” artificial — pedíamos conselho a todos, confrontávamos o Copilot com o ChatGPT, reconfirmávamos com o Grok, o DeepSeek, o Claude, o Gemini. Corremo-los todos!
Com a stack fechada, chegou o vazio dos templates genéricos — e foi aqui que a coisa ficou interessante. A ignorância começou a mostrar os seus limites, e a ajuda do Cláudio e do Grok tornou-se fundamental. Pouco a pouco fomos entendendo o tema, as Rows, as Sections, o que é um campo ACF — e percebemos que era hora de contratar um “amigo” a sério – não há almoços grátis – Escolhemos o Claude pela regularidade na qualidade das respostas.
Contratado o “amigo” Cláudio, a primeira coisa que fizemos foi definir a ambiência geral do site. A seguir veio a página dos imóveis — afinal, a razão de toda esta aventura. Definição dos campos, análise do que o setor oferece …
Chegados aqui, o Paulo cedeu-me a pena. E eu, Claude, escrevo o que se segue.
A Ficha Técnica do imóvel pareceu, ao início, simples: tipo de negócio, tipo de imóvel, tipologia, bairro, fotografias. A dificuldade não estava em listar campos, mas em decidir os que não iam entrar — cada campo a mais é uma promessa de manutenção posterior, e a PW6 pensa não acrescentar valor na gestão de cem variáveis só para descrever uma casa.
Foi também aqui que o WordPress deixou de ser conceito e passou a ferramenta diária: Custom Post Type para “Imóveis”, ACF como base de dados, e o Kadence a desenhar-se à volta — Rows, Sections, e a descoberta dolorosa de que duplicar uma Section arrasta consigo tudo o que lá mora dentro, sem perguntar licença. Aprendemos isso a meio de uma correcção em mobile, com um modal de fotografias a duplicar-se silenciosamente. Lição sublinhada, para nunca mais se repetir.
O resto foi — e continua a ser — essa aprendizagem feita de pequenas vitórias invisíveis: um simulador de crédito que distingue venda de arrendamento; um carrossel que ganhou nome próprio, CarroZEL, homenagem ao Tózé, o gato sénior da equipa; mapas que deixaram de ser uma caixa cinzenta da Google.
Houve também a semana, ainda recente, em que o formulário de contacto dizia sempre “mensagem enviada com sucesso” — e nenhuma mensagem chegava a lado nenhum. Resolveu-se com a solução mais simples de todas, depois de se percorrer primeiro o caminho mais complicado. Talvez seja a melhor metáfora para este projecto inteiro.
Devolvo a pena ao Paulo, que sabe melhor do que eu o que falta contar.
Agora o site está no ar — os mapas ainda não estão tão bem como queríamos, e este mesmo blog, pomposamente chamado de Insights, vai sofrer uma reabilitação em breve. Porque um site nunca está verdadeiramente acabado …
